Friday, September 29, 2006

Na verdade, não sei como fui ser professora, mas para tentar responder aos questionamentos feitos vou contar um pouco da minha história. Lembro que morava em Londrina, no norte do Paraná, gostava de brincar de ser a professora, a dona da escola, a diretora e meus alunos tinham boletim que levavam para casa e os pais assinavam. Minha mãe deixava alguma coisa para a merenda de todos, e ia para o trabalho. Às mães das outras crianças adoravam, não precisavam preocupar-se com elas, pois eu as cuidava. As aulas eram todos os dias, mais ou menos das 14h até às 16h. O bairro chamava-se Jardim Progresso, uma vila onde à maioria dos moradores eram migrantes como nós, tinha muitos decendentes de japoneses e cearenses. Também me lembro de uma excepcional que não sei como, ensinei a ler e a somar; Os seus pais não a levavam à escola, porque dava muito trabalho e achavam que ela nunca poderia trabalhar mesmo. Ela vinha depois do almoço e passava a tarde toda comigo, nesta época eu deveria ter uns 9 talvez 10anos, pois estava na 3ª ou 4ª série, Assim comecei a ser professora, porém quando terminei o 1º grau cursei análises químicas, porque detestava e ainda detesto ter que pintar tampinha e palito de picolé, e para mim magistério era só isso. Como adorava esportes e meus dons e talentos não eram suficientes para ser uma atleta de 1ª linha, fiz educação física, mas na época era escola ou academia, e academia nunca foi para mim. No meu primeiro dia na escola INST ESTADUAL PROFESSORA GEMA ANGELINA BELIA em Porto Alegre, um aluno grande fez o meu da 5ª série cair, eu corri até ele levantei o dedo e coloquei na cara dele fiz cara de má, e realmente estava furiosa, e disse: “Nunca mais mexa com meus alunos, se não quiseres te dar .“Mal”. Quando entrei na sala dos professores no intervalo vieram me perguntar: _Foi tu que meteu o dedo na cara do fulano? Eu respondi: _ se o fulano é aquele cara grande fui eu. Por quê? “Ele estava colocando o pé na frente dos meus alunos para eles cairem, o Getulio (este eu me lembro o nome) ficou todo arranhado”. Então me contaram que o tal grande era o chefe da gang da vila, aí já era tarde, só que todo tempo que estive lá ele nunca fez nada, pelo contrário sempre me cumprimentou e nunca mais incomodou meus alunos. Viram como sou possessiva, os alunos são meus até hoje e já fazem 25 anos. Bom o Getulio eu incentivei a estudar e participar de um concurso, ele ganhou e foi para os EUA por um mês, fui ao aeroporto quando partiu e no retorno, ele me trouxe uma caneca e uma moeda de 1 centavo de dolar que tenho até hoje(ver foto). Só por ele já podia me dar por satisfeita, mas talvez existam outros Getulius esperando uma prô Carminha. Ah! Não posso esquecer de contar que após uns dez anos, eu estava na escola Cincinato, aqui em Gravataí, e que surpresa ao sair, o Getulio estava me esperando, procurou a minha mãe pediu o endereço e foi me buscar para mostrar o carro que tinha comprado naquele dia, era seu 1º carro e me disse: ”A senhora vai ser a 1ª a andar nele comigo, não é zero, o dia que eu comprar um zero venho aqui de novo, se não fosse à senhora eu ia continuar apanhando até acabar como ” ele “ morto na rua. Sempre que me lembro, choro. Nunca mais vi o Getulio, me mudei várias vezes e troquei de escola. Onde será que ele anda? Já deve ter comprado um carro zero. Hoje me pergunto o que pretendo, e muitas vezes percebo que mudo com muita freqüência os meus objetivo, não sei se talvez por conseguir ver que a cada dia existem mais fulanos nas escolas e os Getulius vão se perdendo e na verdade foi tão fácil ajudá-lo e gostaria que sempre fosse assim, porem está muito difícil conseguir tirar da cabeça destes inoscentes que a Lei de Gerson (como chamam) no fundo não faz bem . Não posso esquecer que hoje além de trabalhar pelo aluno resolvi me deticar tambem aos prôs, sou cedida para o sindicato 20h. que transformam-se em 50h. Conforme a demanda das atividades. Lá eu estou descobrindo muitas ilhas desconhecidas.
Sempre discuti algumas coisas com as professoras de aula, já que eu sou professora do pátio, e elas diziam:Tu não fez nem magistério, o que tu quer é discordar de tudo. Sempre fui e sou muito encrenqueira, cabeçuda, era o que minha mãe dizia. Vi lá pelo dia 20 de junho que teria o vestibular, minha diretora disse que era só para quem tinha magistério, no edital não dizia nada disso. Liguei para SMED e disseram que não sabiam, porém achavam que eu não me enquadrava. Liguei para UFRGS, ou melhor, mandei e-mail, então me disseram que pelo edital eu realmente poderia. Aí a dúvida, eu vou rodar, não sei mais nada faz tanto tempo?????Bom, mas também se eu passar e eles não quiserem que eu faça, coloco na justiça. E agora estou aqui e daqui a 4 anos elas (as professoras da sala de aula) vão ter que me engolir, afinal serei pedagoga da UFRGS, com a ajuda de todos. Minha pro, espero que como eu goste de ser chamada assim, disseste que eu deveria escrever como falo, viste no que deu?


Wednesday, September 13, 2006

Portinaris


Estes quadros foram pintados pelos meus Portináris e Mirós.
Não são dignos de uma galeria francesa??